A produtividade nas empresas pode crescer até 30% e a motivação dos funcionários em 25% quando o ambiente de trabalho é positivo. O dado, revelado em pesquisa publicada no Journal of Applied Psychology, mostra que investir no bem-estar dos colaboradores e no clima organizacional deixou de ser “benefício” e se tornou uma alavanca estratégica, com impacto direto e mensurável nos resultados do negócio.
Em um mercado em que a tecnologia rapidamente nivela produtos e serviços, o verdadeiro diferencial passa a ser a “temperatura” interna das empresas. A forma como as pessoas se sentem e a atmosfera em que trabalham, o chamado clima organizacional, saiu da esfera exclusiva do RH e assumiu o status de métrica de desempenho, com influência direta na produtividade, na inovação e nos resultados financeiros.
Segundo Rafael Giupponi, CEO da InCicle e especialista em gestão de pessoas focada em resultados, um bom clima organizacional precisa ser entendido como estratégia de negócio. “Quando um colaborador se sente valorizado, respeitado e seguro, ele transforma engajamento em métricas de negócio, elevando a qualidade, a inovação e, inevitavelmente, a rentabilidade da empresa”, afirma.
Para isso, Giupponi defende uma transformação estruturada, baseada em importantes pilares. O primeiro é diagnóstico e planejamento. “O ponto de partida é a clareza. Não é possível melhorar aquilo que não se mede. Esse diagnóstico é feito por meio de pesquisas de clima organizacional, com questionários anônimos e estruturados, que apontam forças e fragilidades em temas como comunicação, liderança, benefícios e infraestrutura”, conta.
Segundo o especialista, a partir dos dados, é construído um plano de ação com metas claras, prazos definidos e responsáveis para atacar as causas-raiz dos problemas. O segundo pilar é comunicação e transparência. Ele conta que a confiança é a base de qualquer relação saudável dentro da empresa. “É fundamental implementar uma política de comunicação interna eficaz e transparente, mantendo os colaboradores informados sobre projetos, objetivos estratégicos e quaisquer mudanças relevantes.”
“Reconhecimento e desenvolvimento andam lado a lado. É essencial estruturar programas justos de reconhecimento pelo bom trabalho, celebrar vitórias, tanto da empresa quanto individuais, e agradecer publicamente pelo esforço. Outro pilar é o bem-estar e a qualidade de vida, que envolvem benefícios e práticas que reduzem estresse e burnout, como horários flexíveis e modelos de trabalho híbrido. Não podemos esquecer ainda da cultura e valores, que formam a base que sustenta toda a atmosfera da empresa”, afirma.
Na prática, empresas como a InCicle aplicam essas estratégias com o apoio de ferramentas específicas. Pesquisas periódicas de clima permitem medir continuamente a percepção dos times e agir de forma rápida. “O uso estruturado de feedback transforma a conversa entre líderes e colaboradores em um diálogo permanente, enquanto ações de endomarketing ajudam a traduzir valores em experiências concretas no dia a dia.”
Giupponi reforça que construir um clima organizacional positivo e próspero não é tarefa pontual, mas um processo contínuo e intencional. “Tornar o clima organizacional positivo e próspero não é um evento isolado, mas o fruto do trabalho constante de um RH que atua de forma estratégica e humanizada. Um RH extraordinário não apenas implementa políticas, mas age como arquiteto cultural, mediador e parceiro de negócios, garantindo que as pessoas estejam no centro de todas as decisões”, conclui.





